O melhor investimento é uma questão de ponto de vista
“O melhor investimento sempre será aquele que lhe dá, ao final do período que você definiu, o montante necessário para a realização de um objetivo”
Qual o melhor investimento? Quanto aportar todo mês? Qual o investimento que rende mais? Essas perguntas se repetem centenas de vezes, diariamente, nas minhas redes sociais, e a resposta para cada uma delas é: depende!
Sei que parece um pouco decepcionante, mas, ao contrário, essa é a resposta mais honesta que você pode receber. Ao longo deste artigo vou explicar de forma bem simples a lógica dos investimentos e aportes e, certamente, você irá concordar que a resposta é essa mesma que eu disse.
Não existe uma “receita de bolo” que possa ser usada para sempre e a minha responsabilidade, como educador financeiro e analista CNPI, é dizer isso de forma muito transparente. Assim, você poderá gerenciar sua carteira sempre em linha com cada fase de sua vida, otimizando seus recursos financeiros.
Qual o melhor investimento?
Eu sei que você vê muitos rankings por aí, mas a verdade é que o melhor investimento é aquele que atende à sua necessidade pessoal.
Eu sei que, tecnicamente, o melhor investimento é aquele que oferece uma ótima rentabilidade. Mas temos aí uma subjetividade que é importante você compreender, para não sair investindo em algo só porque alguém disse que é bom. Afinal, bom para quem e para quê?
Não seria errado afirmar que 14% ao ano é uma excelente rentabilidade, certo? Entretanto, se seu objetivo pessoal for, por exemplo, fazer uma viagem daqui a um ano que irá custar R$ 20 mil e hoje você tem R$ 10 mil, a rentabilidade de 14% ao ano não vai lhe parecer boa, não é mesmo?
Nesse caso, você tem algumas alternativas: mudar o prazo para realizar a viagem, mudar o orçamento que quer destinar a ela ou procurar algum investimento cuja rentabilidade, ao final do período que você programou, dê a você exatamente o valor que você necessita.
Por outro lado, suponhamos que o montante inicial, somado à rentabilidade contratada, seja suficiente para o objetivo final. Qual a inflação projetada para o período da sua análise? Olhando para esse número, os 14% são bons ou ruins? São variáveis a considerar antes de dizer se um investimento é ou não o melhor pra você.
O exemplo da viagem pode ser aplicado a quaisquer metas que você tenha para seus investimentos, desde a simples compra de um bem até a sua aposentadoria.
O melhor investimento sempre será aquele que lhe dá, ao final do período que você definiu, o montante necessário para a realização de um objetivo.
Quanto aportar todo mês?
Essa é uma resposta que somente você pode dar. É óbvio que aqui vale a matemática básica: quanto maior o aporte mensal, mais rápido atingirá sua meta financeira.
Porém, tudo na vida é equilíbrio. Você não deve negligenciar as necessidades do seu cotidiano e fazer sacrifícios além do razoável só em nome do aporte. Esse tipo de atitude tende a não durar e, além disso, pode causar muita ansiedade, o que não é saudável.
Sugiro que você transforme o aporte mensal numa espécie de prestação que o seu eu do presente paga mensalmente ao seu eu do futuro. O valor ideal deve ser um percentual compatível com sua receita e também com a meta definida.
Seja realista e lembre-se que é uma questão matemática: se você deseja ter, por exemplo, R$ 200 mil daqui a 24 meses, mas sua capacidade de aporte é de R$ 500 mensais, é matematicamente impossível alcançar os R$ 200 mil em 24 meses. Neste caso, você precisará definir o que irá mudar: a meta, o aporte ou o prazo.
Como minha amiga Nathalia Arcuri costuma brincar em alguns vídeos, “os números não mentem jamais”.
Quanto mais você se habituar a fazer contas, mais realista e prático será o seu planejamento financeiro. Isso evita frustrações, surpresas ruins e ajuda você a colocar sua energia naquilo que está sob o seu controle modificar.
Qual investimento rende mais?
Novamente vou precisar dizer que depende! Rende mais em relação a quê? Qual é a referência que você está utilizando?
Existem vários índices econômicos que balizam as análises financeiras no mercado. Por exemplo: CDI, Ibovespa, IFIX, IMA-B e tantos outros. Há, ainda, indicadores de mercado como o IPCA, IGPM etc, cujas variações você precisa entender e, assim, escolher investimentos que ajudem a proteger seu poder de compra.
Para o investidor iniciante, pode ser desafiador fazer essas comparações. Existem inúmeros simuladores de investimento online e gratuitos que podem ser úteis nessa tarefa. Use sem moderação, exercite seu raciocínio! Isso vai ajudar você a ter clareza quanto ao funcionamento dos juros compostos.
Contudo, antes de definir qual será o benchmark a utilizar para escolher os ativos em que irá investir, você precisa respeitar seu perfil emocional ao lidar com dinheiro. De nada vai adiantar você ter como referência a variação do Ibovespa se, de antemão, você sabe que não consegue lidar com volatilidade e, portanto, não investiria em renda variável.
É uma questão prática: se você já sabe que não investiria na Bolsa de Valores, qual a utilidade de ficar comparando sua rentabilidade com a variação da Bolsa? Isso seria o mesmo que você me dizer que a modalidade esportiva que mais queima calorias é o Ironman. Eu não sou atleta, não vou participar do Ironman, então comparar a queima calórica dessa atividade com o futevôlei na praia não me serve de nada.
Pensar de forma honesta e realista sobre a sua relação com dinheiro e investimentos vai tornar muito mais fácil colocar em prática tudo o que você aprender sobre investimentos.


